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BLOG DO IGOR
Meu amigo Igor Zuvela, há um ano, depois de navegar pelos blogs da vida, resolveu arriscar um recado. Comentou comigo que tinha gostado da experiência de escrever. Dei uns toques pra ele sobre os trâmites para se abrir um blog. Nunca mais tocamos no assunto. Eis que a namorada dele, a Patrícia Pichamone encontrou o texto num HD da vida. Ele descreve o dia em que voltamos da Caravana Funarte com o espetáculo “A Mandrágora”
Ah! os peidorreiros citados são o próprio Igor, eu e Rodrigo Lombardi. Êta saudade, e lá vai!
Escrito por sergio às 00h01
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Segunda-feira, por Igor Zuvela
Segunda-feira, 04 de abril de 2005. Tarde chuvosa em São Paulo. Nunca tive saco de escrever. Tenho preguiça até pra escrever um telefone ou o nome de uma loja que, quem sabe um dia, possa me interessar pra alguma coisa. Além do que, sou quase analfabeto, moro na Mooca ( onde não se pronuncia os “Ss” do plural) etc. Mas hoje resolvi me arriscar inspirado nesse blog do meu grande amigo. Vamos lá.
Acabo de voltar da Caravana FUNARTE de Teatro (se é que é esse o nome). Estive três dias em Belo Horizonte, três em Uberlândia e três em Araxá. A peça se chama A MANDRÁGORA, de Nicolau Maquiavel e tem um puta elenco bom e gente fina. Uma semana depois ficamos mais três dias em Bauru - SP. Dias sem um puto de um tostão infurnados num quarto triplo (duplo com uma cama de exército) com mais dois caras peludos, fedidos e peidorreiros que falam merda pracacete. Ótima oportunidade pra conhecer gente nova, gente com outras maneiras de pensar, de levar a vida, de trabalhar... Outros humores. Ótimo pra afastar-se da vidinha e pensar nela. Brecht. Dias de reflexão.
Engraçado esse negócio do preço das coisas, dos objetos, das pessoas. Se eu preciso comprar uma privada, por exemplo? Todas são iguais. Geralmente brancas e só servem pra poucas coisas. Então cometemos o primeiro erro: Compramos a mais barata. Já caguei em várias privadas. As da minha casa são as mais baratas. Quando vou a casa de um bacana, numa festa por exemplo, e lá pelas tantas, quando a música já está bem alta, eu me tranco no banheiro mais legal (porque casa de bacana tem vários banheiros), e me alívio. O que tem haver a música alta? Eu faço, sempre, barulho nessas horas e além do mais, tenho uma certa sensação de estar só. O que pro meu CÚ assustado é importantíssimo.
Escrito por sergio às 00h01
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PARTE 2
Segunda-feira, 04 de abril de 2005. Tarde chuvosa em São Paulo. Estou na casa da minha namorada e ela acaba de sair pra trabalhar. Estou de folga. Estou febril, com a garganta travada, dor nas costas de tantas viagens e camas de campanha, e uma puta dor de estômago. Barriga mesmo. Tomo o café da manhã às 14:30h acendo um cigarrinho. Aquele jornal de sexta olha pra mim e fala diretamente com a minha barriga que só depois fala com o meu cérebro. Ambiente perfeito. Ninguém em casa. Estamos sozinhos. Dor de barriga, cigarro, jornal... Subo lentamente pra ir me concentrando. Tudo tem de acontecer lentamente. Afinal, desde que entrei no ônibus de ida pra Bauru, e lá comi o legítimo, nada aconteceu. Quem sabe se não é ele se manifestando.
Voltemos a privada. Privada barata “chapisca”. Fica parecendo essa técnica de pintura que está em moda e que aplicamos no criado-mudo que herdamos quando a Avó morre. Sim porque um fudido como eu só herda isso mesmo A privada sem-vergonha fica parecendo um criado-mudo renovado, patinado. PÁTINA. Agora, por outro lado, privada boa que custa R$200, R$300 não chapisca. E com o tempo também não mancha o fundo deixando aquele aspecto nojento, como alguém que usou e não deu descarga.
Pra eu ter uma privada bacana, então, o que que eu faço? Subsídio. È o que o governo faz com as peças de Teatro em todo o país. Uma atividade que não se mantêm. E, por mais incrível que possa parecer, não dá lucro. O que é uma praga de brasileiro. O tal jornal que tantas sensações me causou a pouco traz um artigo do João Mellão Neto (O ESTADO de S. PAULO – sexta-feira, 1 de abril de 2005- pág. A2 – “Lucro não é pecado”), em que ele traça um paralelo entre o americano e o brasileiro sobre o que eles pensam do lucro. “ Reside aí uma das diferenças culturais fundamentais entre os norte-americanos e os brasileiros. Os ricos por lá são reverenciados e servem de paradigma para os cidadãos comuns. Pressupõe-se que, se são ricos é porque têm méritos. Com exceção dos mafiosos e outros bandidos, ninguém enriquece se não tiver trabalhado duro ou não possuir qualidades que os distingam dos demais. Não despertam inveja, mais sim admiração...”. Por que eu sou diferente? No teatro, peça que faz sucesso sem atores globais não se sustenta. É sucesso mas não dá lucro. Quando dá os profissionais envolvidos acumulam funções. Um ator/contra-regra/descarrega-caminhão/pendura-refletor/passa-roupa/produtor. Ganhamos abaixo do piso da nossa categoria, isso quando ganhamos o piso. Infelizmente no meu circulo de amizades poucos ganham bem com teatro. Aí quando têm global é pejorativamente chamada de “peça comercial”. E a minha profissão, no Brasil não é comercial. Além de estudar muito pra poder me diferenciar ,um pouquinho que seja, do bando de atores bons e talentosos que temos aqui, tenho de aprender rapidamente a técnica de me alimentar de Sol. Aprender também a ensinar a técnica pro meu filho já que arroz, feijão, carne, ovo, batata, cenoura, nem pensar. Aí eu não precisarei mais da privada uma vez que, segundo me disseram e eu vou averiguar melhor, não dá pra cagar o Sol.
Até que se invente uma alternativa melhor ao Capitalismo, eu quero fazer peças com Globais, quero ser assistido, quero pagar as minhas modestíssimas contas, alimentar meu filho, eu próprio e o Dionísio que é o cãozinho dele e que não tem nada haver com isso.
Não era pegadinha de primeiro de abril, Dia da Mentira.
Escrito por sergio às 00h00
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PRA QUEM NÃO VIU...
Oração para um Pé-de-Chinelo
de Plínio Marcos
Direção: Alexandre Reinecke
Elenco: Denise Weinberg, Norival Rizzo e Marat Descartes
Produção: eu mesmo.
Até final de abril!
Domingo as 20:30
Espaço Satyros I
Pça. Roosevelt, 214
R$ 20,00 (meia entrada para estudantes classe teatral etc...)
Escrito por sergio às 11h16
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Cadeado símbolo do Festival de Teatro de Curitiba 2006 (para pendurar no pescoço)
NÃO ADIANTA FUGIR
A capa do guia da programação do Festival de Curitiba 2006 promete mais de 200 espetáculos em dez dias! Parece que a generalidade e a megalomania contaminaram “aquele que é considerado o maior evento das artes cênicas do país e chamado por muitos como o Festival do Brasil” (esta é a definição defendida em texto institucional ) . Na capa do referido Guia o destaque para a montagem “Antônio e Cleópatra” com Maria Padilha e Caco Ciocler e direção de Paulo José. Ocorreu algum problema e eles “conseguiram fugir”. Ou seja, o carro chefe da visibilidade deu um W.O. Participei da 2ª. e da 3ª. edição do Festival. Era um privilégio ir a Curitiba e encontrar profissionalismo em cada detalhe. Todo mundo dizia que nem parecia o Brasil!
Imagino que com a perda do patrocínio do finado Bamerindus, buscou-se, com toda razão, a mostra paralela. Ela foi fundamental para que o Festival não se extinguisse e passou a fazer parte do encontro.
Parece que hoje um grupo tem que pagar pra se apresentar na mostra paralela e fica com parte da bilheteria. Acho louvável que a rapaziada que rala por este país, tenha a gana de mostrar seu trabalho num festival que possui o maior potencial de visibilidade junto a imprensa. Já para os curitibanos, a coisa não está fácil e nem parece ser feita para eles. Um espectador me disse que só há uma central de vendas num shopping com 6 guichês. Para mais de 200 peças em 10 dias!! O cara foi duas vezes ao local e parecia fila de suprimentos da ONU na Somália. No mínimo 2 horas de espera. Não havia informações sobre a lotação do espetáculo no local ou teatro de apresentação. Caso o cidadão não comprasse no posto oficial, tinha de tentar o sorte na porta do teatro.
Escrito por sergio às 17h28
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OS PÉ-DE-CHINELO
Eu, Denise Weinberg, Norival Rizzo, Marat Descartes, Alexandre Reinecke, Ronaldo Dias e o beatle Eldo, baixamos no Festival na última segunda-feira para a apresentação na mostra oficial, de “Oração para um Pé de Chinelo” de Plínio Marcos. Esta montagem, pra quem não sabe, já proporcionou pra Denise um prêmio APCA de melhor atriz e a indicação dela e do Norival no quesito interpretação no prêmio Shell. Prêmios são produtos de circunstâncias e ninguém em sã consciência faz nada pensando neles. Se caírem no colo, ótimo. Neste time ninguém têm salto alto, mas o que aconteceu por lá foi de amargar! Vale notar que todo o pessoal do Teatro Paiol foi uma honrosa exceção nesta quase cilada. Para não me alongar, basta listar algumas trapalhadas em cada item:
Hospedagem: O Hotel designado estava lotado. Arranjou-se um outro da mesma rede que, 04 horas depois, disse que também não podia fazer nada. Lá pra meia noite, após a ameaça de voltarmos pra Sampa, foi arranjado um terceiro hotel.
Alimentação: Depois de restrições do tipo “o pessoal do festival só pode comer porções” ou o privilégio de um jantar cuja melhor opção (de duas) era “uma salada com filetes de salmão defumado”, fomos recebidos por uma senhora que foi “muito educada” ao sugerir que “não pegássemos mais de 600 gramas de rango, para evitar o desperdício” entre outras recomendações. Segundo definição do Norival Rizzo ela foi educada como se Dom Paulo Evaristo Arns chegasse pra gente e dissesse com aquele jeito doce: “Meus filhos amados, vão todos pra puta que os pariu”.
Receptiva: Apelidada em poucas horas de “deceptiva” a moça, com o perdão da indiscrição, estava com cólicas, 05 ponstans no sangue e o detalhe fundamental para alguém que deveria nos guiar: nem ela nem o motorista conheciam a cidade!!!
Tudo foi resolvido depois de um puta pau e do empenho de nossa deceptiva Vanessa e da encarregada da logística Ísis, devidamente apelidada , após algumas providências de "A poderosa Ísis". Todos os camaradas de outras produções que encontramos por lá também tiveram problemas ligados a esta visível desorganização. O Festival de Curitiba é uma conquista para todos nós. Deve custar muito trabalho e grana. Se continuar assim, ninguém mais vai querer baixar por lá. Só a galera que gosta de viajar e o “rebutalho”. No Brasil, a gente costuma sempre trocar quantidade por qualidade. O fato é que o bolo está aumentando muito e vai acabar expulsando os moradores da casa.
Escrito por sergio às 17h27
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Meu grande amigo Igor Zuvela, à frente do elenco da peça "Hotel Lancaster" de Mário Bortolotto
ET IN ARCADIA EGO
Num dos quadros de Nicolas Poussin, têm uma turma neo-clássica observando o que parece ser uma ruína. Todos são jovens e pareciam , despreocupadamente, celebrar a vida. O quadro retrata o momento onde todos estão surpresos tentando decifrar a frase gravada na pedra: “et in arcadia ego”, “até mesmo na arcádia eu (a morte) existo”. Num detalhe da tela, minúsculo, há um crânio. Quem vê o quadro desavisado nem nota. Com a gente também é assim: apesar da luta e da perspectiva geral sempre ser assertiva, ela, a dona do abraço final, está lá.
Sou um cara que não “rega e cuida” de amizades. Não acredito em jardins. Quando gosto de alguém tenho a visão de floresta. Está lá, é forte e não precisa de cuidados diários. Longe ou perto, meus amigos sempre estão em minha mente e coração. O tempo para eles não é histórico, é vertical. Posso ficar sem ver um amigo durante anos e quando o reencontro é como se fosse ontem.
Falei com Igor Zuvela no último domingo três vezes ao telefone. Acordei cedo e fiz um projeto pra ele mandar pra Funarte. A velha batalha. Queria fazer “Dois perdidos numa noite Suja”. Ia me encontrar com ele pra entregar o material. Liguei e aí soube que o Igor passou mal e foi internado. O resto foi silêncio.
Igor era o tipo do cara que me deixava com “sangue nos olhos”. Você podia ir pra guerra com ele. Na hora do tiroteio ele ia estar do seu lado mandando ver! Era inteligente, rápido e talentoso, como poucos.com quem tive a honra de trabalhar. E se tem uma coisa que admiro num sujeito é a competência. Ele dominou, desde sempre, os fundamentos do trampo. Têm gente que vai viver 100 anos e 20 plásticas, e nunca vai saber do que se trata. E o principal: era ótimo pai!
Tenho certeza que o Igor está mais surpreso do que todo mundo! Porra!!!!! Meu amigo, o negócio é você, daqui há um tempo, marcar um almoço (não se esqueça que o velho é vegetariano) com o Bernard Shaw e fazer pra ele aquela cena do Major Bárbara. O velho vai adorar. Encontre o Maquiavel e mostre como se faz um papel quase sem falas, ser quase o protagonista de sua “A Mandrágora” .Depois, quando você estiver mais sossegado e com saudades de subir num palco, procure o Plínio Marcos e peça pra ele mesmo te dirigir em “Dois perdidos”.
Daqui há uns 40 ou 50 anos (estou sendo otimista) todos nós estaremos por aí e continuaremos nosso trampo juntos. Fala pro Shakespeare que tem um brasileiro da Casa Verde que até acendia vela pra ele. Veja se ele topa ser o diretor. Vamos formar uma baita Companhia de teatro. Sem editais e chapéu na mão. Manda ver na pré-produção! Ah. pode dizer pro Marlon Brando que a gente não vai pagar nada, mas deixa ele fazer um papel pequeno.
Escrito por sergio às 15h53
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O HORROR
Diante do abraço da morte, consta que revivemos tudo o que se passou em um átimo de tempo. Há um momento eternal, absoluto e finalmente o salto. Em seu gigantesco livro de 90 e poucas páginas "O Coração das Trevas", Joseph Conrad, o gênio polonês, coloca na boca do Coronel Kurtz, poucas frases, sendo a final: “o horror! o horror!”.
Nojo absoluto e desculpas por juntar este autor com a CPI do Fim do Mundo, como é chamada a CPI dos Bingos. Na acareação entre os dois irmãos de Celso Daniel, (que num esgar grego tentam saber de quem foi a mão que segurou o punhal) e o secretário particular da Presidência da República (confidente, Rasputim ou puxa-saco?), Gilberto Carvalho, dá-se o fato.
O petista conseguiu devolver uma das maiores infâmias da recente história do Fazendão Brasil. Diante da incapacidade de convencer quem quer que seja, na arrogância do poder, na falta de argumentos, o homem (ainda merece esta categorização), solta uma história sobre uma filha ilegítima!!!! Podre. Não poderemos nunca mais falar sobre Fernando Collor com o mesmo sentimento. O Sr. Gilberto Carvalho conseguiu igualar tudo. Inacreditável ! É o fim!
Escrito por sergio às 01h31
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Major Bárbara Heliodora
O Grupo Tapa está de volta a sua terra natal. O endereço é Teatro Villa-Lobos no Rio de Janeiro e o texto da montagem é Major Bárbara, de Bernard Shaw. Algumas produções, quando na antiga corte, recebem a visita dos críticos da cidade, entre eles, a representante do jornal “O Globo” que dá título a este post, com patente e tudo.
Com autoridade de tradutora e, digamos assim, ensaísta de teatro, adquirida em muitos anos no trampo, vale notar que a Sra. Bárbara mereceria patente de general, mas o trocadilho infame com o título da peça não estaria presente, coisa que decidi preservar.
Não vou entrar no aspecto polêmico nem no tom de certa patrulha de bons modos culturais que, muitas vezes, verifico no tom das críticas que li. Se assim é, é porque há na cidade leitores que curtem essa opinião implacável, desde que , obviamente , o objeto da coisa não seja dirigida a seu próprio rabo. E deste modo, acredito que este temor despertado pelo implacável, agrade sua autora, e a todas aquelas poucas pessoas que chegam a ler o caderno de cultura além de dar munição à maledicência de quem não torce para este ou aquele time produtor de teatro.
Não vou conjugar minha opinião sobre a montagem com a referida crítica. Pergunto: Quantas montagens de Shaw foram levadas à cena no Brasil ultimamente? Que eu me lembre a última foi Santa Joana, com Esther Góes, no início da década de 80! Quem conhece seus textos? Quase ninguém. A última edição de uma pequena parte de suas dezenas de peças foi feita na década de 50, pela Editora Melhoramentos. Acho que em toda América Latina, ninguém monta o velho vegetariano Irlandês.Azar o nosso!
A turma do norte que fode diariamente a camada de ozônio, têm até clubes de leitura dedicados à Shaw e festivais de teatro moderno encabeçados por suas montagens.
O simples fato de ter a coragem e capacidade de montar Major Bárbara, com quase três horas de diálogos geniais, deveria conferir ao Grupo Tapa mais respeito e atenção por parte do todos nós!
Aqui vai o site de um dos festivais: www.shawfest.com
Escrito por sergio às 01h48
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CUECA FREADA
Nossa elite é tão bacana! O fato é que não termos grandes famílias seculares no poder. Não estou defendendo dinastias, não! Mas os punhados de grupos que fodem em berço esplêndido, são autofágicos, quase sempre dependentes do Estado e invariavelmente incompetentes para fundamentar algo na sociedade senão acumular até o rabo estourar. Não vivemos sobre a opressão de uma elite centenária. Vivemos sobre um espectro miserável de quem se torna e se revira em elite. Chegou lá? Bota pra quebrar. O Fazendão chamado Brasil se arreganha e todos devem ser tratados como gado. Como deve ser bom ter o poder!
O fato é que as comissões legislativas estão esfregando a barba da esquerda ética e etílica na lama. Mas a pergunta que a galera não responde é a óbvia:
De onde veio a grana? Que palhaçada é essa? Será que mais uma vez vão usar esta baixaria toda só pra reposicionar as forças políticas? A rapaziada neo-liberal–pras-negas-deles, vai acertar as contas pra próxima eleição e pronto!!! Novamente não vamos conhecer os patrocinadores da festa do peão da ladroagem.
Deu sujeira na cueca no Mané. Mas o fato é quem freia a cueca nunca fala: ou lava no chuveiro ou ainda embrulha e joga no cesto. Não, eu não, comigo isto nunca acontece! Nesta época de alienação química e de ego somos todos retardados e só nos resta ficar catando carrapatos?
Escrito por sergio às 00h01
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SIRIRI NA TELA
Antes da devastação a que foi submetido o ecossistema da Terra da Mandioca, nomenclatura de Macunaíma para a gloriosa cidade de São Paulo, era comum, em noites quentes, a presença dos cupins com asas em lâmpadas e, principalmente nas telas das velhas Colorados RQ e Telefunkens que habitaram minha casa na infância. Eles apareciam e ficavam lá rondando as fontes de luz, perdidos, a espera da aniquilação. Soube mais tarde que alguns insetos se orientam pela luz refletida pelo satélite empoeirado, desde os tempos em que a lua era a fonte de luz noturna que dava o maior ibope no planeta,
Estive no Rio de Janeiro e a sensação, ao olhar o roteiro de peças em cartaz é de que a grande maioria da atividade teatral na cidade maravilhosa, segue a lógica dos siriris. Tal qual a TV, a produção se orienta pela presumida capacidade de dar ao público “aquilo que ele quer e já viu na TV”. E o principal instrumento para este fim é o bom e velho gênero cômico. Vale notar a forma como isto se aplica. Não estamos falando de enredos ou do patético do gênero. Estamos falando de espetáculos que se valem de quadros com tipos, do tipo Planeta dos Homens e afins. Bordões físicos e de texto. Até aí, estamos numa fórmula consagrada desde os tempos do rádio (que é a grande fonte de toda a teledramaturgia brasileira). O problema é que agora o assunto... é a televisão!!!! Como praticamente eu não assisto TV aberta, exceto o impagável Gazeta Esportiva, não consigo entender a maioria das piadas. Vai chegar um tempo em que tipos como eu teremos que levar a revista Contigo como referência bibliográfica. O que poderia ser uma piada interna, tornou-se código consagrado da massa, como se não fosse possível ter a experiência cômica diante do enredo de um personagem que se nos apresenta ali, no palco, após o terceiro sinal.
É claro, que num país onde neguinho lê e na maioria das vezes não entende o que está escrito, o universo da TV seja uma possibilidade de código unificador. E se o ator em questão tiver popularidade, há a experiência adicional do espectador confirmar que ele existe “de carne e osso”, o que quase sempre se reflete nos preços praticados pela bilheteria. E uma espécie de maldição paira sobre os espíritos de todos. Mesmo os atores não populares, convivem com esse “encosto”, como se uma carreira neste ramo fosse um caminho , onde o ápice se encontra em obter este lugar olímpico da popularidade. Não sou ingênuo de desprezar esta possibilidade. Mas ela não é a única. E este problema não está na indústria da TV. O problema está nos agentes de criação do teatro que, cada vez mais, fazem o palco parecer um estúdio. E alguns siriris urbanos, confusos, acreditam que o Tubo catódico é e sempre foi a Lua!!
Escrito por sergio às 16h50
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EXCESSO DE CARGA
Esta semana fui ao Rio de Janeiro fazer uma participação no seriado Carga Pesada. Pra variar, o papel e de um sujeito nada honesto. Tenho a sensação de que este tipo de trabalho é como entrar num jogo aos 42 minutos do segundo tempo, com um escanteio a favor de meu time. Lá vai você pra área tentar alguma coisa. Só que seu corpo está frio, pretende fazer alguma coisa, entra com tudo na bola, mas até o gandula está mais aquecido e “no jogo” que você. Dá até uma certa gana de sujar as chuteiras, mas prazer que é bom, nada! Vale notar o profissionalismo e a camaradagem dos atores Antônio Fagundes e Stênio Garcia. Com a justa medida de quem já têm alta quilometragem no trampo, há no olhar deles aquela pegada do menino que eles foram. Nem vou falar de personagens, roteiro etc... Não adianta mesmo. E o melhor nem é realizar a tal da participação, mas presenciar a amizade e a serenidade do encontro destes dois atores. A televisão tem uma sintaxe e um modo de trabalho que, sinceramente, não domino. Me sinto como corretor da bolsa de valores no primeiro dia de trabalho. O negócio é tocar o puteiro e não ver no que dá.
Escrito por sergio às 16h10
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TETAS DA VIÚVA
Do jeito que a “classe teatral” trabalha, não há, nos próximos 600 anos, a menor possibilidade da maioria esmagadora da atividade de produção teatral ser mantida pela clientela, ou seja, pelo bolso do espectador. Aí vão duas dicas de “fomentar”, no caso “dar uma força” e não “fazer o camarada passar fome”, como insistem algumas mentes argutas. Vale notar que as tetas do Estado não andam muito generosas não. O primeiro, são 30.000 pratas da Funarte e as inscrições acabam no próximo dia 26. A outra possibilidade vem da gloriosa Secretaria Estadual da Cultura, que ainda não tive saco de ler. Aí vão os endereços:
Fomento Funarte : www.funarte.gov.br
Prêmio Flávio Rangel: www.cultura.sp.gov.br/
Escrito por sergio às 01h27
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ADMIRÁVEL CLIENTE NOVO
Ontem, após a apresentação da peça “O Estrangeiro” no Teatro Folha, lá estava eu pra descer pelo elevador. Uma mulher e quatro pré-adolescentes pararam ao meu lado. A mulher disse: vamos descer com o ator que fez a gente rir. Perguntei: vocês todos estavam assistindo a peça, com todos aqueles palavrões? (minha modesta contribuição ao texto foi a nada sutil inclusão de uns 40 deles). E depois de algumas outras frases e pedidos da galera “mini craque” pra repetir parte do texto a mãe mandou : esta é a minha turma, eles me pedem muito pra ir ao teatro. Essa geração gosta muito mais de teatro que a minha!
Bingo! Muito bom!
Claro que a peça em questão, tipicamente americana, dá pra ser vista por pessoas de 8 a 80, e se bobear, pelos respectivos cachorros. Mas cumpre a função de isca pra outros trabalhos menos palatáveis. Tudo bem, os meninos são da classe média etc... etc... Mas até um favelado desavisado teria uma boa chance de gostar da bagaça..
Tomara que a senhora tenha vaticinado algo que se cumprirá. No Império, a americanada já não vai tanto ao cinema. Mais da metade da renda dos filmes, vem do DVD. Entre as putarias, os papos e galinhagem, os games e etc... espero sinceramente que a rapaziada vá com mais naturalidade ao bom e velho teatro.
Escrito por sergio às 13h17
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CENA ILUMINADA
Paulo Autran está em cartaz com “Adivinhe quem vem para Rezar”. Caso algum ator tenha preconceito em relação ao “The Man”, e ache a si mesmo o auge da contemporaneidade ou qualquer coisa assim, dê uma abaixada no ego e vá lá. Vai ser uma aula. E sem convite, vai ser uma aula nada barata. E um grande abraço pro Cláudio Fontana, que além de ter a manha de dividir a cena com o Paulo, sacou o óbvio. Ator tem que se produzir. E ele faz isso com grande competência e profissionalismo. De graça , transcrevo um trecho de uma entrevista do Paulo. É um tiro de diamante na testa de lucidez. Dá-lhe!
Na Cena - Mas algum trabalho, em especial, lhe chama a atenção?
Paulo Autran - Há vários grupos fazendo trabalhos bem interessantes. Tem a Cia. do Latão. Tem Os Satyros, que fazem um teatro de pesquisa, muito divertido, com bons atores. Gosto do Uzyna, do José Celso Martinez Corrêa, que tem a sua própria pesquisa. O Antunes Filho faz outro tipo de pesquisa interessante. Mas o Antunes, tenho a impressão de que está meio gasto. O último espetáculo dele que vi, achei tão repetitivo. Ele usa as mesmas cenas que já usou em outros espetáculos. O Antunes é um caso específico. Ele tem um teatro garantido, tem sua subsistência garantida, não depende de bilheteria, não precisa lutar pelo seu espetáculo. É uma situação confortável, não há dúvida. Não quer trabalhar com atores, quer iniciantes. Agora está sofrendo as conseqüências desse isolamento.
Escrito por sergio às 15h16
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