
A MANDRÁGORA – OU, O DIABO QUE O CARREGUE!!!!!
As quatro horas do dia 03 de maio de 1469, nasceu Niccolò Machiavelli, ou o bom e velho Nicolau Maquiavel. Por conta de ter ocupado um alto cargo numa chancelaria do governo de Piero Soderini na República de Florença - tratava de vários assuntos, com ênfase em relações diplomáticas - gostava de ser chamado de “secretário florentino” . O problema é que o trampo não durou muito. Assim como este governo. Em 1512 ocorreu a boa e velha quebra de pau com direito a divertidos enforcamentos.
O fato é que Nicolau se fodeu. Os inimigos o afastaram do cargo e o processaram. Como teve a sorte de não ser banido e nem era anti-Medici (como o governo ao qual pertencera). tentou de todo jeito trabalhar para aquilo que ele julgou ser seu destino: um governo estável e forte. Teve a visão e a coragem de ver o mundo como ele é, sem as falsas ilusões que levavam seus contemporâneos a desgraça.
O fato é que, com exceção de uma obra escrita em 1504, todas as outras 13 obras de Maquiavel foram escritas após esta demissão.
Ou seja, o velho secretário passou o resto da vida amargurado e puto, dedicando todos os seus livros a pessoas ligadas aos Médici ou ao novo governo.
E o velho e bom espírito de porco que habita minha mente conclui: quer dizer que um dos maiores pensadores do Ocidente, escreveu todas aquelas obras (dentre elas “O Príncipe”) na tentativa de puxar o saco e conseguir um emprego público? Pois é....
Vou ao ponto: A Mandrágora foi escrita em 1518, e segundo escritos do próprio secretário: porque não tenho outro lugar / para onde voltar o rosto / pois foi-lhe interposto / mostrar outra verdade no labor / sem recompensa para seu autor.
Ou seja: ele não tinha mais o que fazer. Parece um monte de gente que conheço. A diferença é que, por enquanto, elas não escreveram nada que mereça mais de um mês na lembrança.
A peça, quando lida ou mal montada, pode ser considerada chata. O fato é que foi revolucionária em termos formais. O autor se manifestava no prólogo e durante as canções da peça. Eu considero a peça uma das melhores comédias já escritas. O público Zé - Mané, fica só na dimensão da putaria (que é sensacional). Mas quem puder ir além, verá um tratado de política e o diabo. Eu chego até mesmo a sacar a geografia da cidadezinha de Florença.
Depois que alguém inventa ou descobre, tudo parece óbvio. Nicolau foi tão copiado em seus procedimentos, que nem nos lembramos dele, ou achamos que o que fez, outros já fizeram melhor. Sem ilusão: os que foram além, partiram dele. O próprio Bill Shakespeare deve alguma coisa a ele. Não precisamos pensar mais nada.
Escrito por sergio às 15h49
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