
Cadeado símbolo do Festival de Teatro de Curitiba 2006 (para pendurar no pescoço)
NÃO ADIANTA FUGIR
A capa do guia da programação do Festival de Curitiba 2006 promete mais de 200 espetáculos em dez dias! Parece que a generalidade e a megalomania contaminaram “aquele que é considerado o maior evento das artes cênicas do país e chamado por muitos como o Festival do Brasil” (esta é a definição defendida em texto institucional ) . Na capa do referido Guia o destaque para a montagem “Antônio e Cleópatra” com Maria Padilha e Caco Ciocler e direção de Paulo José. Ocorreu algum problema e eles “conseguiram fugir”. Ou seja, o carro chefe da visibilidade deu um W.O. Participei da 2ª. e da 3ª. edição do Festival. Era um privilégio ir a Curitiba e encontrar profissionalismo em cada detalhe. Todo mundo dizia que nem parecia o Brasil!
Imagino que com a perda do patrocínio do finado Bamerindus, buscou-se, com toda razão, a mostra paralela. Ela foi fundamental para que o Festival não se extinguisse e passou a fazer parte do encontro.
Parece que hoje um grupo tem que pagar pra se apresentar na mostra paralela e fica com parte da bilheteria. Acho louvável que a rapaziada que rala por este país, tenha a gana de mostrar seu trabalho num festival que possui o maior potencial de visibilidade junto a imprensa. Já para os curitibanos, a coisa não está fácil e nem parece ser feita para eles. Um espectador me disse que só há uma central de vendas num shopping com 6 guichês. Para mais de 200 peças em 10 dias!! O cara foi duas vezes ao local e parecia fila de suprimentos da ONU na Somália. No mínimo 2 horas de espera. Não havia informações sobre a lotação do espetáculo no local ou teatro de apresentação. Caso o cidadão não comprasse no posto oficial, tinha de tentar o sorte na porta do teatro.
Escrito por sergio às 17h28
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OS PÉ-DE-CHINELO
Eu, Denise Weinberg, Norival Rizzo, Marat Descartes, Alexandre Reinecke, Ronaldo Dias e o beatle Eldo, baixamos no Festival na última segunda-feira para a apresentação na mostra oficial, de “Oração para um Pé de Chinelo” de Plínio Marcos. Esta montagem, pra quem não sabe, já proporcionou pra Denise um prêmio APCA de melhor atriz e a indicação dela e do Norival no quesito interpretação no prêmio Shell. Prêmios são produtos de circunstâncias e ninguém em sã consciência faz nada pensando neles. Se caírem no colo, ótimo. Neste time ninguém têm salto alto, mas o que aconteceu por lá foi de amargar! Vale notar que todo o pessoal do Teatro Paiol foi uma honrosa exceção nesta quase cilada. Para não me alongar, basta listar algumas trapalhadas em cada item:
Hospedagem: O Hotel designado estava lotado. Arranjou-se um outro da mesma rede que, 04 horas depois, disse que também não podia fazer nada. Lá pra meia noite, após a ameaça de voltarmos pra Sampa, foi arranjado um terceiro hotel.
Alimentação: Depois de restrições do tipo “o pessoal do festival só pode comer porções” ou o privilégio de um jantar cuja melhor opção (de duas) era “uma salada com filetes de salmão defumado”, fomos recebidos por uma senhora que foi “muito educada” ao sugerir que “não pegássemos mais de 600 gramas de rango, para evitar o desperdício” entre outras recomendações. Segundo definição do Norival Rizzo ela foi educada como se Dom Paulo Evaristo Arns chegasse pra gente e dissesse com aquele jeito doce: “Meus filhos amados, vão todos pra puta que os pariu”.
Receptiva: Apelidada em poucas horas de “deceptiva” a moça, com o perdão da indiscrição, estava com cólicas, 05 ponstans no sangue e o detalhe fundamental para alguém que deveria nos guiar: nem ela nem o motorista conheciam a cidade!!!
Tudo foi resolvido depois de um puta pau e do empenho de nossa deceptiva Vanessa e da encarregada da logística Ísis, devidamente apelidada , após algumas providências de "A poderosa Ísis". Todos os camaradas de outras produções que encontramos por lá também tiveram problemas ligados a esta visível desorganização. O Festival de Curitiba é uma conquista para todos nós. Deve custar muito trabalho e grana. Se continuar assim, ninguém mais vai querer baixar por lá. Só a galera que gosta de viajar e o “rebutalho”. No Brasil, a gente costuma sempre trocar quantidade por qualidade. O fato é que o bolo está aumentando muito e vai acabar expulsando os moradores da casa.
Escrito por sergio às 17h27
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