galo cego - sergio mastropasqua


BLOG DO IGOR

Meu amigo Igor Zuvela, há um ano,  depois de navegar pelos blogs da vida, resolveu arriscar um recado. Comentou comigo que tinha gostado da experiência de escrever. Dei uns toques pra ele sobre os trâmites para se abrir um blog. Nunca mais tocamos no assunto. Eis que a namorada dele, a Patrícia Pichamone encontrou o texto num HD da vida. Ele descreve o dia em que voltamos da Caravana Funarte com o espetáculo “A Mandrágora”

Ah! os peidorreiros citados são o próprio Igor, eu e Rodrigo Lombardi. Êta saudade, e lá vai!



Escrito por sergio às 00h01
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Segunda-feira, por Igor Zuvela

 

Segunda-feira, 04 de abril de 2005. Tarde chuvosa em São Paulo. Nunca tive saco de escrever. Tenho preguiça até pra escrever um telefone ou o nome de uma loja que, quem sabe um dia, possa me interessar pra alguma coisa. Além do que, sou quase analfabeto, moro na Mooca ( onde não se pronuncia os “Ss” do plural) etc. Mas hoje resolvi me arriscar inspirado nesse blog do meu grande amigo. Vamos lá.

 

Acabo de voltar da Caravana FUNARTE de Teatro (se é que é esse o nome). Estive três dias em Belo Horizonte, três em Uberlândia e três em Araxá. A peça se chama A MANDRÁGORA, de Nicolau Maquiavel e tem um puta elenco bom e gente fina. Uma semana depois ficamos mais três dias em Bauru - SP. Dias sem um puto de um tostão infurnados num quarto triplo (duplo com uma cama de exército)  com mais dois caras peludos, fedidos e peidorreiros que falam merda pracacete. Ótima oportunidade pra conhecer gente nova, gente com outras maneiras de pensar, de levar a vida, de trabalhar... Outros humores. Ótimo pra afastar-se da vidinha e pensar nela. Brecht.  Dias de reflexão.

 

Engraçado esse negócio do preço das coisas, dos objetos, das pessoas. Se eu preciso comprar uma privada, por exemplo? Todas são iguais. Geralmente brancas  e só servem pra poucas coisas. Então cometemos o primeiro erro: Compramos a mais barata. Já caguei em várias privadas. As da minha casa são as mais baratas. Quando vou a casa de um bacana, numa festa por exemplo, e lá pelas tantas, quando a música já está bem alta, eu me tranco no banheiro mais legal (porque casa de bacana tem vários banheiros), e me alívio. O que tem haver a música alta? Eu faço, sempre, barulho nessas horas e além do mais, tenho uma certa sensação de estar só. O que pro meu CÚ assustado é importantíssimo.



Escrito por sergio às 00h01
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PARTE 2

 

Segunda-feira, 04 de abril de 2005. Tarde chuvosa em São Paulo. Estou na casa da minha namorada e ela acaba de sair pra trabalhar. Estou de folga.  Estou febril, com a garganta travada, dor nas costas de tantas viagens e camas de campanha, e uma puta dor de estômago. Barriga mesmo. Tomo o café da manhã às 14:30h acendo um cigarrinho. Aquele jornal de sexta olha pra mim e fala diretamente com a minha barriga que só depois fala com o meu cérebro. Ambiente perfeito. Ninguém em casa. Estamos sozinhos. Dor de barriga, cigarro, jornal... Subo lentamente pra ir me concentrando. Tudo tem de acontecer lentamente. Afinal, desde que entrei no ônibus de ida pra Bauru, e lá comi o legítimo, nada aconteceu. Quem sabe se não é ele  se manifestando.

 

Voltemos a privada. Privada barata “chapisca”.  Fica parecendo essa técnica de pintura que está em moda e que aplicamos no criado-mudo que herdamos quando a Avó morre. Sim porque um fudido como eu só herda isso mesmo A privada sem-vergonha fica parecendo um criado-mudo renovado, patinado. PÁTINA. Agora, por outro lado, privada boa que custa R$200, R$300 não chapisca. E com o tempo também não mancha o fundo deixando aquele aspecto nojento, como  alguém que usou e não deu descarga.

 

Pra eu ter uma privada bacana, então, o que que eu faço? Subsídio. È o que o governo faz com as peças de Teatro em todo o país. Uma atividade que não se mantêm. E, por mais incrível que possa parecer, não dá lucro. O que é uma praga de brasileiro. O tal jornal que tantas sensações me causou a pouco  traz um artigo do João Mellão Neto (O ESTADO de S. PAULO – sexta-feira, 1 de abril de 2005- pág. A2 – “Lucro não é pecado”), em que ele traça um paralelo entre o americano e o brasileiro sobre o que eles pensam do lucro. “ Reside aí uma das diferenças culturais fundamentais entre os norte-americanos e os brasileiros. Os ricos por lá são reverenciados e servem de paradigma para os cidadãos comuns. Pressupõe-se que, se são ricos é porque têm méritos. Com exceção dos mafiosos e outros bandidos, ninguém enriquece se não tiver trabalhado duro ou não possuir qualidades que os distingam dos demais. Não despertam inveja, mais sim admiração...”.  Por que eu sou diferente? No teatro, peça que faz sucesso sem atores globais não se sustenta. É sucesso mas não dá lucro. Quando dá os profissionais envolvidos acumulam funções. Um ator/contra-regra/descarrega-caminhão/pendura-refletor/passa-roupa/produtor. Ganhamos abaixo do piso da nossa categoria, isso quando ganhamos o piso. Infelizmente no meu circulo de amizades poucos ganham bem com teatro. Aí quando têm global é pejorativamente chamada de “peça comercial”. E a minha profissão, no Brasil não é comercial. Além de estudar muito pra poder me diferenciar ,um pouquinho que seja, do bando de atores bons e talentosos que temos aqui, tenho de aprender rapidamente a técnica de me alimentar de Sol. Aprender também a ensinar a técnica pro meu filho já que arroz, feijão, carne, ovo, batata, cenoura, nem pensar. Aí eu não precisarei mais da privada uma vez que, segundo me disseram e eu vou averiguar melhor, não dá pra cagar o  Sol.

 

Até que se invente uma alternativa melhor ao Capitalismo, eu quero fazer peças com Globais, quero ser assistido, quero pagar as minhas modestíssimas contas, alimentar meu filho, eu próprio e o Dionísio que é o cãozinho dele e que não tem nada haver com isso.

 

Não era pegadinha de primeiro de abril, Dia da Mentira.



Escrito por sergio às 00h00
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PRA QUEM NÃO VIU...

Oração para um Pé-de-Chinelo

de Plínio Marcos

Direção: Alexandre Reinecke

Elenco: Denise Weinberg, Norival Rizzo e Marat Descartes

Produção: eu mesmo.

Até final de abril!

Domingo as 20:30

Espaço Satyros I

Pça. Roosevelt, 214

R$ 20,00 (meia entrada para estudantes classe teatral etc...)

 



Escrito por sergio às 11h16
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